A princesa de copas não sabe quem é em seu Paradoxal ; caos pessoal tenta de alguma forma, a si mesma encontrar mas tudo o que encontra é sua maldição. É minha maldita, doce princesa de copas em sua cruzada por amor e libertação (...)
domingo, 19 de dezembro de 2010
— Dizem que se o visitante abre ele mesmo a porta, não volta nunca mais.
Ele saiu. O corredor de mosaicos gelados.
— Volte quando quiser — ela sorriu.
Ele deu alguns passos em direção ao elevador. Ela continuava na porta. Antes de entrar no elevador ainda se voltou para encará-la mais uma vez. E não conseguiu conter-se.
— Não conheço nenhum Paulo — disse.
— Eu também não — ela sorriu. Ela sorria sempre. Ele apertou o botão do Térreo. Conseguiu segurar a porta um momento antes que se fechasse, para gritar:
— Eu não me chamo João.
— Eu também não me chamo Maria — julgou ouvir.
Mas não tinha certeza. Difícil separar a voz sorridente do barulho de ferros do elevador. Rangendo, puxando para baixo.
Na porta do edifício, tornou a apertar o botão do porteiro eletrônico:
— Escuta — perguntou —, você não tem um rádio-despertador?
— Claro que sim. Na minha cabeeeira.
O riso chegou distorcido através dos pequenos orifícios do aparelho.
— E tenho também uma garrafa de vinho. Mas agora é muito tarde.
Pedras de Calcuta
Ele saiu. O corredor de mosaicos gelados.
— Volte quando quiser — ela sorriu.
Ele deu alguns passos em direção ao elevador. Ela continuava na porta. Antes de entrar no elevador ainda se voltou para encará-la mais uma vez. E não conseguiu conter-se.
— Não conheço nenhum Paulo — disse.
— Eu também não — ela sorriu. Ela sorria sempre. Ele apertou o botão do Térreo. Conseguiu segurar a porta um momento antes que se fechasse, para gritar:
— Eu não me chamo João.
— Eu também não me chamo Maria — julgou ouvir.
Mas não tinha certeza. Difícil separar a voz sorridente do barulho de ferros do elevador. Rangendo, puxando para baixo.
Na porta do edifício, tornou a apertar o botão do porteiro eletrônico:
— Escuta — perguntou —, você não tem um rádio-despertador?
— Claro que sim. Na minha cabeeeira.
O riso chegou distorcido através dos pequenos orifícios do aparelho.
— E tenho também uma garrafa de vinho. Mas agora é muito tarde.
Pedras de Calcuta
Agora o jeito é me afogar em garrafas de vodka e doses de melancolia, misturado com comprimidos extras de remédios para dormir (como diria Cainho '' dorme menina, sono salva ou adia'') com poemas do qual não compreendo e meu querido ''Cainho'' de baixo do braço; no rádio tocando qualquer Blues que me faça pedir mais café ou aumentar o som pra dançar sozinha, e quem sabe, ter coragem para rasgar, quebrar, me revoltar (tenho todo o direito, sim senhor)e apodrecer em morrer em paz. Não gosto de dividir minha solidão, cada solidão trás o mais frágil ser atona e mostra cada um assim : Nu, nada, sem mentiras ou qualquer coisa que salve. E por fim mentindo todo dia que não-ligo-foda-se e tudo-bem-a-vida-é-assim-mesmo até eu realmente acreditar.
Estou botando o dedo na garganta para vomitar um pouco disso, sabe? só queria que você tivesse me pedido pra ficar, me ligasse para que ficássemos em silêncio, ou qualquer conversa banal no fim da tarde, algo laconico e superficial. Mas eu queria que você tivesse falado. Não importa, qualquer coisa cliche que me convencesse que valeu a pena. Fica-sinto-sua-falta-sem-você-não-sei-viver, mas você disse tanto-faz-o-que-for-melhor-pra-você. Oras, mas vejam só, não quero ser injusta, careta, do tipo 'amor conservador dos anos 60' mas porra, minto ! Queria você pra mim,com todos seus defeitos, e jeito estranho de falar de amor. Meu jeito estranho de falar de amor. Agora tô meia perdida, sentindo algo estranho no meio do peito (seria o coração ?) queria pedir qualquer tipo de socorro S.O.S, só não-me-deixe-morrendo-aqui; Mas o que você faria ? Aos poucos vou vendo outra em meu lugar, alguém pra te chamar de meu amor, que faça você feliz. Eu não te faço mais feliz,não é mesmo ? Nos tornamos aquilo que tanto temia : Aqueles casais na mesa do restaurante, cujo quais negam a olhar entre os olhos. Mas tudo bem (minto de novo)quantos anos você tem ? Tá tão sozinha, viciada nessa solidão e precisando de qualquer pessoa que ocupe um lugar bem grande que não se importa com a ilusão.
Me entende, eu não quis, eu não quero, eu sofro, eu tenho medo, me dá a tua mão, entende, por favor. Eu tenho medo, merda!Ontem chorei. Por tudo que fomos. Por tudo o que não conseguimos ser. Por tudo que se perdeu. Por termos nos perdido. Pelo que queríamos que fos...se e não foi. Pela renúncia. Por valores não dados. Por erros cometidos. Acertos não comemorados. Palavras dissipadas.Versos brancos. Chorei pela guerra cotidiana. Pelas tentativas de sobrevivência. Pelos apelos de paz não atendidos. Pelo amor derramado. Pelo amor ofendido e aprisionado. Pelo amor perdido. Pelo respeito empoeirado em cima da estante. Pelo carinho esquecido junto das cartas envelhecidas no guarda- roupa. Pelos sonhos desafinados, estremecidos e adiados. Pela culpa. Toda a culpa. Minha. Sua. Nossa culpa. Por tudo que foi e voou. E não volta mais, pois que hoje é já outro dia. Chorei. Apronto agora os meus pés na estrada. Ponho-me a caminhar sob sol e vento. Vou ali ser feliz e já volto.
Caio f. de Abreu.
Caio f. de Abreu.
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